quarta-feira, 29 de junho de 2011

mas a Primavera já passou

"Quando não te doeu acostumar-te a mim,
 à minha alma solitária e selvagem,
 a meu nome que todo afugentam.
 Tantas vezes vimos arder o luzeiro
 nos beijando os olhos e sobre nossas cabeças
 destorcer-se os crepúsculos em girantes abanos.
 Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
 Desde faz tempo amei teu corpo de nácar ensolarado.
 Chego a te crer a dona do universo.
 Te trarei das montanhas flores alegres,
 copihues, avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.
 Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas."



Pablo Neruda

sexta-feira, 24 de junho de 2011

e a história repete-se

o ar que respiras é o que me faz sufocar.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

11 dias

ouve Duran Duran. ouve-me.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

como prometido

Afirmas que brigamos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo – é minha – a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
Não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?

De quem é esta briga? Não me lembro.



Rosa Lobato Faria