quarta-feira, 29 de junho de 2011

mas a Primavera já passou

"Quando não te doeu acostumar-te a mim,
 à minha alma solitária e selvagem,
 a meu nome que todo afugentam.
 Tantas vezes vimos arder o luzeiro
 nos beijando os olhos e sobre nossas cabeças
 destorcer-se os crepúsculos em girantes abanos.
 Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
 Desde faz tempo amei teu corpo de nácar ensolarado.
 Chego a te crer a dona do universo.
 Te trarei das montanhas flores alegres,
 copihues, avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.
 Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas."



Pablo Neruda

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